Breve reflexão sobre a situação política marianense
por Paulo Felipe Noronha
Mais um chefe do executivo cai na primaz das Gerais. A vergonhosa derrocada de Terezinha Ramos trai sua incapacidade política (e quem duvidava?) inepta que foi em compor com as lideranças várias da cidade uma coalização política real, apesar da simpatia que ela colhia na estrata mais pobre da população. A razão técnica de sua queda é o uso aviltante do recurso público em causa pessoal. Mas tal iniquidade não é novidade na política brasileira, todos parecem ter rabo preso. A diferença é que Terezinha chegou de pára-quedas.
Em meio ao caos administrativo instaurado, ficou difícil ter simpatia pela maioria dos administradores que passaram pela prefeitura da cidade nos últimos anos. Roque Camêllo, apesar de toda sua bagagem teórica e conhecimento cultural elevado, foi um exemplo extremo de intransigência, quando do alto de seu elitismo se isolou em torno das dificuldades jurídicas que enfrentava, e se esqueceu que havia, lá embaixo na distância, uma cidade para gerir, com demandas diversas em várias frentes. Raimundo Horta, por sua vez, nada fez além de dar continuidade ao governo de Celso Cota, e sua administração resultou sem qualquer personalidade. E o de Terezinha Ramos resultou exatamente o que se esperava: retrocesso.
Por essa razão, insisto em elogiar o breve período que Bambu governou. Quebrando com vícios inerentes à grande maioria das lideranças políticas da cidade, instaurou um governo sintético, sólido, prenhe de novas idéias e uma postura de diálogo. O atual presidente da Câmara se provou um governante de personalidade e tino, especialmente considerando todo o desgoverno em que se encontrava a cidade.
Agora, Roberto Rodrigues, liderança sobre quem pairam dúvidas, pois neófito na administração pública, há que se provar. As perguntas mais prementes são: será ele, num curto espaço de tempo, capaz de estabelecer um governo organizado, em clima de tranqüilidade e acolhimento? Poderá adereçar os vários problemas da cidade? À guisa de dúvidas que recaem sobre sua pessoa e o grupo empresarial que representa, uma vez que seus interesses pessoais poderiam colidir com os interesses da população, especialmente na questão fundiária, será criterioso para que as soluções mais justas se concretizem, onde quer que problemas tenham de ser atacados?
Independente das respostas, a situação política da cidade fica mais interessante, uma vez que o grupo político liderado por Celso Cota, se exibindo confiante em uma vitória “indiscutível” nas próximas eleições, talvez encontre barreira não apenas em Bambu, mas também em Rodrigues, a depender, como já dito, do resultado que obtenha sua já breve administração. Não que duas ou três opções sejam muito melhores que uma, mas qualquer coisa que aumente o leque favorece o exercício de alguma sombra de democracia em Mariana, primaz das Gerais.
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