Maternidade, uma vocação de amor
Elaine Ribeiro*
A palavra mãe traz significados imensos em nosso imaginário: as boas lembranças, as dificuldades, as brigas em família, o apoio, o abraço, o carinho. Todos esses pensamentos nos levam a perceber a vocação de uma mãe: amar incondicionalmente e sem reservas. A vocação do ser mãe é muito mais do que gerar biologicamente uma pessoa, mas é cuidar com amor de alguém que tomou para si como filho. Mais do que ser um fruto do seu ventre, ser mãe é assumir a responsabilidade pela vida, pela educação, pela criação de um indivíduo.
A mãe dos nossos tempos é a que enfrenta todas as adversidades e desafios que a sociedade impõe, mas que, em seu amor, é fiel e zelosa na missão em que foi presenteada. Nesta data, fazemos menção de honra para a mulher que é mãe nas mais diversas situações: a mãe que gerou em seu ventre, a mãe do coração – que optou pela adoção como gesto de doação e entrega – a mãe espiritual que dobra seus joelhos e intercede por seus filhos, aquela mãe que, mesmo não tendo filhos, cuida das pessoas como se fossem de fato seus filhos.
Os desafios de uma sociedade que passa por mudanças é uma das maiores preocupações trazidas pelas mulheres ao buscarem a maternidade. Inseguranças, desejos, expectativas sobre os filhos, futuro: uma imensidão de pensamentos invade o imaginário das futuras mamães ou daquelas que fazem esse plano. Mas será que existe um “modelo ideal de mãe”?
Lembro-me sempre de Gianna Beretta Molla, santa, médica, mãe de família, esposa, fiel a Deus, orante, e tendo a Virgem Maria como exemplo para sua vida. Uma mulher que, como tantas mães dos nossos dias, teve uma rotina que exigiu dela um desdobramento em muitos papeis. Uma mulher, uma santa contemporânea; mulher do nosso tempo, que, mesmo tendo filhos e uma profissão, teve o desprendimento, a dedicação e uma opção: ter Deus como o centro de sua família. Não deixou de lado seus valores, e no momento mais difícil de sua vida, optou, dentre sua vida e a do seu filho, que ele nascesse, mesmo que o risco fosse sua morte. Nem mesmo a possibilidade de deixar seus outros filhos a fez abandonar seu projeto de vida.
Ser mãe é uma tarefa exigente, árdua, recompensadora, mas que gera medo, ansiedade, expectativa por cumprir este papel de forma favorável. É muito importante ter em mente que ser mãe é algo que se aprende, que não existe a mãe ideal, mas a mãe possível e disponível; a mãe que erra, mas que tem em seu desejo mais genuíno a vontade de acertar. Ser mãe é aprender a cada dia, renovar, reciclar, crescer, retomar, cair e levantar, apoiar, ser o ombro, o colo e o calor.
Santa Gianna escreveu numa oportunidade uma linda descrição do papel da mãe: “Toda vocação é vocação à maternidade: material, espiritual, moral, porque Deus nos deu o instinto da vida. O sacerdote é pai; e as irmãs são mães, mães de almas. Preparar-se para a própria vocação, preparar-se para ser doador da vida… ”.
Os limites de uma mãe são testados a todo momento, passando por situações que jamais imaginaria, sendo colocados à prova. Mas o dom, o amor e a missão farão sempre com que esta supere tudo aquilo que seja lhe dado como prova, bem como a fará experimentar todas as alegrias que esta missão lhe concede!
Que as palavras de Santa Gianna Beretta Molla, possam também estar presentes em sua vida, mãe, sempre que as dificuldades de sua missão baterem à sua porta: “Senhor, faz que a luz que se acendeu em minha alma não se apague jamais”.
Parabéns, mãe, por sua vocação!
*Elaine Ribeiro é psicóloga clínica e organizacional da Fundação João Paulo II / Canção Nova
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