Livro, artigo de luxo no país da chuteira

24 de Agosto de 2012
Jornal O Liberal

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Em território tupiniquim, reino dos estádios grandiosos, é fato notório que se afaga a bola e chuta a escola, razão pela qual brasileiro é o povo que menos lê, e chega a ser motivo de orgulho para quem chega ao topo da pirâmide sem nunca ter lido um livro. Em lugar do estímulo aos estudos, ao trabalho produtivo e à cultura em geral, as decantadas bolsas sociais favorecem o ócio, o descontrole em lugar do planejamento familiar, ajuntando-se ainda a fraude por quantos, dotados de recursos, são também ricos em esperteza. Se as circunstâncias culturais, desenvolvidas ao longo da história, desde o descobrimento, favorecem o néscio e o desdém à leitura, a estrutura gerencial do país, para isso, contribui em larga escala. E ao se avançar no tempo, mais entraves se criam para que o conhecimento seja desprezado. Em tempos idos, material impresso, que nem precisava ser livro ou qualquer outro veículo de disseminação do conhecimento, gozava de postagem especial junto no serviço dos Correios. Equiparado o livro a qualquer objeto, transportado pelos Correios, mais resistência se cria à leitura e menos motivo o autor tem para produzir. Postagem superior a cinquenta do preço de uma obra de duzentos e cinquenta páginas é o fim da picada!

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