Ré(u)
De quem é a culpa?
Será o flagelo o elo que une politicagem e demagogia? Pilantragem e cara de pau?
Idiossincrasias facebookeanas de nosso contemporâneo velho. Nossa velha nova cidade mofada que continua a regar pré-conceitos e dogmas.
Engana os números e diz que morreu mais um bandido aplaudido em frente a TV. Diz mais uma vez que o Estado vendeu bem. Bateu bem. “O pior opressor é aquele que já foi oprimido”. Twitte de novo sobre a nova velha idiotice da TV.
TV. Televisão. Segundo o Aurélio, a definição do substantivo feminino é essa: Tecnologia de telecomunicação que permite a transmissão instantânea de imagem e som, gerados ao vivo ou gravados em videoteipe, mediante ondas eletromagnéticas ou transmissão a cabo. O televisor, nome do aparelho e substantivo masculino usado no processo, acabou sendo posto de lado, substituído pelo nome do processo. É bem verdade que o eletrodoméstico, presente em 99,99999% dos lares brasileiros, seja recheado de sangue e bobagens...
Vi no televisor, na época mais aguda das enchentes por aqui, que o Estado gasta mais recuperando os danos das mesmas, do que as prevenindo. Gasta mais com medidas emergenciais ou paliativas que com prevenção aos acidentes. Como no trânsito ou na saúde...
E agora José? No meio do caminho havia uma pedra. Ou um morro...
Agora os profetas do acontecido dão a cara pra bater! Agora foram mais de 300 picaretas procurando corpos. Agora e daqui para o próximo verão. Ruas alagadas. Casas soterradas. Lamas além de Brasília...
Mais um ministro que cai. Poderia ser seriado. As quedas não mais são contadas, feito os gols do Túlio. Aliás, se o brasileiro tivesse a mesma “dispô” que empenha no futebol e no carnaval para cobrar os políticos...
De quem é a culpa? Do pobre que invade o morro? Da omissão do Estado? Do descaso das autoridades? Da natureza? Sua? Minha? De ninguém?
Ganha todo mundo. Perde todo mundo. Discurso pronto de jogador à beira do gramado. A sociedade deveria se responsabilizar efetivamente pelas próprias mazelas, comprometendo-se a mudá-las. De verdade. E não continuar a ignorar a realidade coletiva...
Pimentel nos olhos do outro é refresco. Aliás, refresco não! Cerveja! Isso sim! Dá-me logo um barril! Brasil! Um país de quase todos. Depois do carnaval o ano enfim começa. O que não cessa é o pão e o circo...
Dedico as últimas palavras desta coluna ao grande Denílson, que tinha uma energia especial, e que deixará saudades neste mundo. Que a morte dele e do Juliano não tenham sido em vão.
Prédios caem. Outros são erguidos. O carnaval acaba e depois vem a Páscoa, o natal. Ano novo e mais chuvas. Nascimentos. Mortes. Dúvidas e ciclos. É assim. A vida que continua almejando algo melhor. Ou que ao menos deveria. O que não pode continuar é nossa passividade diante de uma realidade desigual. Muito por culpa de nós mesmos.
Feito estaca cravada no peito de vampiro, ou o espirro que quebra o gelo, a força da palavra e da poesia há de nos salvar...
Não se esqueça, pra relaxar a cabeça, é só sintonizar amanhã às 7 da noite na 90,1 FM, cair na REAL e LIBERTAR OS OUVIDOS!
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