A igreja do cordão de São Francisco de Mariana
Alex Bohrer
Em memória da Paixão de Jesus, São Francisco de Assis cingiu-se, após sua conversão, com um cordão de três nós. Esta peça do vestuário veio a se transformar em assessório obrigatório do Hábito Franciscano. Em 1585 o Papa Xisto V erigiu a Arquiconfraria do Cordão destinada ao culto específico do cordão citado. Bento XIII, em 1724, outorgou aos fiéis a faculdade de criar as ditas arquiconfrarias em igrejas não pertencentes à Ordem.
Por volta de 1760 formalizaram-se instituições do tipo em São João del’Rei, Sabará, Mariana e Vila Rica. No mundo católico esta arquiconfraria foi idealizada para reunir pessoas de todas as raças e condições, devotas do Santo Hábito. Porém, na arquidiocese marianense somente se inscreveu nesta agremiação “gente parda” (como os documentos da época chamavam os mestiços, mulatos etc). Esta particularidade só pode encontrar explicação no meio sócio-cultural da época. Como os mestiços não podiam ingressar na rigorosa Ordem Terceira Franciscana, encontraram na arquiconfraria o meio de prestar homenagem ao Santo de Assis. Certamente é devido aos parcos recursos destes mestiços devotos que esta igreja, cuja construção se inicia no final da década de 1740, possui linhas simples, sem ornamentação de vulto. Germain Bazin, famoso pesquisador francês, frisa o ano de 1780, época em que a capela foi consagrada a Santa Maria dos Anjos.
O interior é bastante singelo, possuindo, todavia, dois belos altares colaterais (ainda que sem policromia) - o do lado do Evangelho (lado esquerdo de quem entra) possui características bastante similares aos da lavra de Francisco Vieira Servas, famoso escultor português. Sua fachada é chanfrada, trifacetada, única deste partido em Mariana. Sua localização lhe empresta um ar pitoresco. Não possui um adro propriamente dito, mas um jardim fronteiro apraz os transeuntes. Por vezes é chamada Igreja de Nossa Senhora Rainha dos Anjos.
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