Ufop encerra greve

Ouro Preto,
04 de Outubro de 2012

Após quatro meses de greve das universidades federais, das 59 que aderiram ao movimento, 41 decidiram por uma volta unificada, dentre elas a Ufop. Oficialmente, as aulas voltaram na segunda, dia 24/09. Apesar do fim da movimentação por parte dos professores ter sido oficializada para o dia 17/09, ainda havia a necessidade de se consultar os representantes dos estudantes. Por isso, houve a prorrogação do início do novo calendário acadêmico no segundo semestre de 2012.

No caso dos estudantes, eles tinham um Comando de Greve independente dos professores. Dessa forma, assim como os funcionários, era necessário que se solicitasse a opinião do corpo discente, que tinha representantes eleitos e legitimados em assembleia. Entretanto, diga-se de passagem, conforme questionamentos no grupo Greve Ufop 2012, da rede social facebook, boa parte dos alunos sequer imaginava que também tinha aderido ao movimento grevista. Menos ainda que havia quem os representasse. Assim, muitos criticaram a decisão de impedir que a paralisação fosse imediatamente encerrada. “Algo que não foi bem entendido pelos alunos”, diz José Arlindo Nascimento, do Comando estudantil.

De acordo com ele, os representantes foram escolhidos a partir dos Centros Acadêmicos, uma espécie de grêmio universitário. Comumente, na Ufop, cada curso tem o seu. E, a partir da decisão desses grupos, deflagrou-se a greve independente por parte dos discentes, para que o posicionamento estudantil não ficasse vinculado única e exclusivamente à pauta dos professores. De acordo com José, a movimentação, tanto nacional, quanto ufopiana , teria se enfraquecido devido a “siglas partidárias como o PSTU e o PSOL”. Segundo ele, elas teriam interesse em “aparelhar” o movimento a si, o que não foi bem visto pelo Comando, pois, segundo ele, a ideia era uma proposta “independente”.

No caso dos funcionários, estes voltaram às atividades dia 27 de agosto, após acordo firmado com o Governo. Diga-se passagem, no caso dos técnicos administrativos da Ufop, a posição foi de que o movimento permanecesse. No entanto, na Assembleia Nacional, em Brasília, em que houve presença de membros de todo país, apesar dos representantes de Ouro Preto votarem contra o término, acabaram vencidos pela maioria. Dessa forma, optaram pelo retorno.

Por fim, no caso dos professores, cujo movimento “fruto da intransigência do governo, mesmo diante de uma greve forte, que parou o Brasil inteiro”, voltou “pior”, constata Viviane Souza Pereira, que compôs o Comando de Greve dos professores. De acordo com ela, foi enviado para o Congresso o Projeto de Lei 4.368 de 2012, que “piora” a carreira docente. Além disso, também houve a questão das condições de trabalho, que não foram “sequer consideradas”.

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