Prefeitura entrega Casa de Pedra à comunidade de Amarantina

Ouro Preto,
23 de Fevereiro de 2014

Administração do local será de responsabilidade da comunidade

Na terça-feira (18), a Prefeitura de Ouro Preto, por meio da Secretaria de Cultura e Patrimônio, realizou a cerimônia de reinauguração da Casa de Pedra no distrito de Amarantina. Contando com grande presença da comunidade local, a Casa foi entregue à população pronta para uso. Foram investidos cerca de R$1,4 milhão, sendo 80% uma iniciativa do Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan) e 20% de contrapartida municipal.

O prefeito de Ouro Preto, José Leandro, considera a renovação da Casa de Pedra de extrema importância para a comunidade de Amarantina, incentivando o acesso de todos à utilização de seu espaço. “A Prefeitura vai dar todo o suporte para que a comunidade assuma a Casa. Ela tem que estar viva e a comunidade tem que usá-la”, afirma.

Tombada pelo Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (IPHAN) em 1963, a Casa de Pedra, também conhecida como Casa Bandeirista ou Setecentista, foi construída pelos primeiros bandeirantes que chegaram à região entre os séculos XVII e XVIII. O monumento chama atenção pela sua construção de pedras irregulares sobrepostas umas às outras. Com o passar do tempo a estrutura da Casa foi se perdendo e as ruínas encontravam-se sob lamentável estado de conservação.

Para João Carlos Cruz, diretor do Iphan regional de Ouro Preto, ”o mais fantástico do projeto é a apropriação do patrimônio histórico e sua entrega para a comunidade”. O diretor diz que o espaço recuperado, agora cria um ambiente de referência para exposições, amostras culturais e eventos à disposição da comunidade.

Parceria entre Iphan e Prefeitura Municipal, a Casa de Pedra será administrada pela comunidade do distrito. César Elias é líder da comunidade de Amarantina e considera que este imóvel vem remodelado para servir à comunidade. “Vai ser útil não só pelo espaço físico, mas também como forma de preservação da história, para fortalecer as relações futuras, além de atender à demanda dos projetos culturais da comunidade”, declara.

Os trabalhos de restauração começaram em 2012. A nova estrutura da Casa de Pedra propõe dois espaços para complementar as atividades culturais da região. De acordo com José Alberto Pinheiro, secretário de Cultura e Patrimônio de Ouro Preto, a Casa agora é uma mistura do novo com o histórico. Com grande esforço da população, do município e do Iphan, a recuperação do local propôs um aproveitamento completo do espaço. “Temos duas casas bastante distintas. O galpão é uma construção bem contemporânea, aparelhada para receber eventos. Já para a Casa de Pedra, pretendemos fazer um centro cultural onde ela é a atração para receber exposições e amostras culturais”.

A representante da comunidade, Cássia Vitorino, afirma que este é o primeiro espaço público que será útil na preservação cultural de Amarantina. “Esperamos que aqui sejam realizados eventos culturais, oficinas educativas e ações onde seja preservada a memória cultural do nosso distrito”. Cássia acredita que a Casa de Pedra trará desenvolvimento local para a cultura, arte e artesanato da região e agradece o investimento no distrito.

A casa já está aberta para visitação e utilização da comunidade.

Polêmica marca inauguração da Casa de Pedra

Um bate-boca entre o vereador Wander Albuquerque e o prefeito Zé Leandro marcou a inauguração da Casa de Pedra de Amarantina, realizada na terça-feira, 18. Representante de Amarantina na Câmara Municipal, o vereador Wander, que faz oposição à atual administração, foi impedido de falar durante a cerimônia e subiu ao palanque mesmo sem o convite do prefeito.

De acordo com Wander Albuquerque, sua atitude foi uma reação ao que considera inverdades ditas pelo prefeito em seu discurso. “Em primeiro lugar, a Casa de Pedra não foi uma conquista dele. Todos nós sabemos que o ex-prefeito Angelo Oswaldo é o grande responsável por essa conquista. Foi ele quem, ainda em seu primeiro mandato, na década de 90, regularizou a documentação do imóvel e depois, de volta à prefeitura entre 2005 e 2012, obteve autorização do IPHAN para a obra e conseguiu os recursos financeiros, iniciando a reforma ainda em 2012. Todo esse trabalho do Angelo teve o meu apoio que, por meio do deputado Alencar da Silveira Jr., reforcei junto ao Governo Federal a necessidade desses recursos. Ele está fazendo cortesia com o chapéu alheio”, disparou o vereador.

Além disso, o vereador questionou a afirmação do prefeito Zé Leandro de que seu governo já investiu mais em Amarantina do que o prefeito Angelo Oswaldo em oito anos de administração. “Ele deve ter se esquecido que o Angelo construiu o moderno serviço de captação, tratamento e distribuição de água de Amarantina, reformou, ampliou e equipou a Escola Municipal Major Raimundo Felicíssimo. Além disso, trouxe a creche, em parceria com o Governo Federal e deixou licitada a duplicação da ponte de Amarantina. Reformou também o Campo das Cavalhadas, iluminou a entrada de Amarantina e a Estrada do Riacho, onde fez melhorias e calçamento. Reformou e ampliou a Escola de Coelhos. Em convênio com o Governo Federal, deixou licitado o dinheiro para os muros de gabião nas Ruas Olaria e São Gonçalo”.

Reagindo à afirmação de Zé Leandro, o ex-prefeito Angelo Oswaldo disse que sua atuação “sempre foi em sintonia com a comunidade, respeitando as lideranças que o apoiavam ou eram de oposição, somando esforços, especialmente com o deputado Alencar da Silveira Jr. e o vereador Wander Albuquerque”.

Para o deputado Alencar da Silveira Jr., a ausência de convites para a cerimônia de inauguração da Casa de Pedra foi, no mínimo, uma grande descortesia do prefeito Zé Leandro. “O que importa, porém, é que o povo de Amarantina reconhece o trabalho de suas verdadeiras lideranças e está de parabéns pela nova conquista”, disse.

Inobstante o teor das críticas proferidas por Wander, os presentes durante a inauguração, inclusive populares, responderam à atitude com vaias. Para o Secretário Municipal de Patrimônio e Cultura, José Alberto Pinheiro, o posicionamento do vereador foi infeliz. “Em momento algum o prefeito José Leandro arrogou para si a completa realização da obra. Em seu discurso, ele informou que a obra teve início em 2012, durante a administração anterior”.

José Alberto, que já trabalhou para o IPHAN, informou ainda que o sonho da restauração é antigo, e já em 1973, 41 anos atrás, se falava na questão. “Hoje, há uma nova cultura de responsabilidade para com o patrimônio histórico, que se reflete na disponibilização de verbas, mas não foi sempre assim. E o mérito maior dessa restauração acaba sendo da própria população local, que foi atrás do IPHAN, de representantes do legislativo mineiro, e obtiveram a conquista. Além disso, é preciso parar com a mentalidade que toma obra pública como sendo de fulano ou beltrano, pois esse tipo de postura, quando levada as últimas consequências, impede a continuidade dos trabalhos administrativos, ou seja, o ego fala mais alto, para prejuízo da população”, finalizou o secretário.

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