Candonguêro: era uma vez um carnaval

Ouro Preto,
01 de Março de 2016

Há mais de 10 anos movimentando o carnaval em Ouro Preto, o Projeto Candonguêro – Era uma vez um carnaval amplia sua atuação, com shows na região dos inconfidentes e no tradicional bloco da Banda Mole, em Belo Horizonte.

“Vá ao Largo da Alegria, Candonguêros estão lá, ensinando a quem não sabe, o verbo ouropretar”. Cantado com fervor por foliões, o célebre samba do compositor ouro-pretano Vandico anuncia que durante o carnaval em Ouro Preto, uma parada sempre se fez obrigatória. Localizado no centro da cidade histórica, o Largo da Alegria, se tornou ponto referência do carnaval ouro-pretano.

Responsável por arrastar milhares de pessoas ao famoso Largo, o projeto Candonguêro: era uma vez um carnaval, completa 12 anos de atividades em 2016 e movimentou o carnaval da Região dos Inconfidentes. Em 2015 se apresentou em diversas cidades do estado, além de aquecer o pré-carnaval da Banda Mole, em Belo Horizonte.

Histórico

Formado por um grupo de artistas da cidade de Ouro Preto, o projeto Candonguêro – era uma vez um carnaval foi criado com o objetivo de reviver o romantismo e a poesia dos carnavais de outrora, a partir de apresentações musicais, performances cênicas e desfiles de bonecos gigantes, homenageado personagens, escolas de samba e blocos tradicionais que de todas aquelas pessoas que já brincaram e ainda brincam o carnaval.

Do frevo ao samba, além de valorizar a experiência do carnaval, o projeto difunde também a música popular brasileira – própria do universo carnavalesco – e o cancioneiro de artistas e compositores de Ouro Preto, colocando em cena nomes nacionalmente conhecidos como Gilberto Gil, Caetano Veloso, Chico Buarque e Lenine, lado a lado dos ouro-pretanos Edmundo Guedes, Jorge Adílio, Seu Walter das Latinhas, Vicente Gomes e Vandico. Este último que teve uma de suas canções gravadas pelo cantor e compositor Marcelo Camelo.

Até a concepção final do espetáculo, o projeto passou por intensa pesquisa histórica e sociológica, procurando entender a poética do carnaval ouro-pretano, o que realmente fez do carnaval da cidade uma festa única, suas particularidades e características. Nesse caminho, a figura folclórica de Bené da Flauta tornou-se um símbolo do Candonguêro. Andarilho, ermitão, músico e escultor, Bené era um bardo às avessas. Tendo vivido em Ouro Preto até meados da década de 1970. O personagem é hoje um dos grandes homenageados do projeto, com um Boneco de 4 metros de altura, que aparece para brincar o carnaval com os foliões.

Após mais de uma década de atividades, o projeto excursiona agora por outras cidades, dialogando com as especificidades de suas tradições carnavalescas, mas mantendo o compromisso de valorizá-las e incentivá-las. É o que explica o músico e compositor Chiquinho de Assis. “O Candonguero foi criado levando-se em consideração a ideia de rememorar e legitimar a tradição carnavalesca de Ouro Preto, a partir da construção de um ambiente que caracterize o som, a cultura e as pessoas da cidade. A inspiração foi Ouro Preto. No entanto, nesta nova etapa, com presença garantida em outras cidades, vamos criar uma interface com o carnaval de cada uma delas”, comenta.

Hoje, o projeto Candonguêro – era uma vez o carnaval está dividido em três vertentes: shows durante o carnaval, o pré-carnaval Circuito do Samba Candonguêro e o Bloco Candonguêro.

O Projeto e suas etapas – Pré-carnaval Circuito do Samba Candonguêro

O carnaval do Candonguêro tem início com o Circuito do Samba Candonguero. Realizado há quase 10 anos em Ouro Preto, consolidou-se como o mais aguardado pré-carnaval da cidade, momento de encontro entre moradores, estudantes e turistas de várias gerações.

Contemplando bares e restaurantes de diferentes bairros e distritos do município de Ouro Preto, o Circuito do Samba é fenômeno de público na cidade, levando milhares de pessoas em suas apresentações.

Bloco Candonguêro – Maracatú e Catitões

Durante o Carnaval, o Candonguêro realiza outra ação que também é tradição no carnaval em Ouro Preto. Procurando se afastar da “cultura do abadá” e destinado a um público que brinca o carnaval, no sentido estrito da palavra brincar, foi criado o Bloco Candonguêro.

Com concentração no centro da cidade, próximo ao Adro da Igreja de São Francisco de Assis, o bloco reúne as pessoas, ao som do Maracatú Lua Nova, com um desfile completo pela cidade, com presença dos catitões (bonecos gigantes dos compositores ouro-pretanos) e o bonecão do Bené da Flauta, que passeia pela cidade, sentado em sua carroça.

Candonguêro: era uma vez um carnaval - Foto de Daniel LaiaCandonguêro: era uma vez um carnaval - Foto de Daniel Laia
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