O Carnaval e os riscos naturais da grande festa
Mauro Werkema
Maior festa popular brasileira, o Carnaval contagia a todos com suas manifestações de alegria. É também quando todo o comércio, especialmente o turístico, ganha dinheiro. Realizar o Carnaval é, portanto, do interesse das cidades. Ouro Preto e as cidades históricas, destinos mais procurados, não fogem à regra. O que é recomendável é que as autoridades públicas, bem como a todos os envolvidos na preparação e realização da festa, cuidarem para que transcorra em normalidade, com a segurança pessoal e patrimonial. Compreendem-se as manifestações reiteradas da Prefeitura de Ouro Preto e de outras cidades atingidas pelas chuvas de janeiro, reafirmando que o Carnaval pode ser realizado perfeitamente, com uma boa organização e os cuidados inerentes a uma festa popular deste porte. O que parece inconveniente é estimular ainda a vinda de foliões, extrapolando em muito a capacidade de suporte destas velhas cidades e trazendo claros riscos.
Sabem todos, pela experiência do passado, que o Carnaval é sempre uma festa preocupante para Ouro Preto assim como para cidades históricas, como Tiradentes e Diamantina, para onde o fluxo de visitantes extrapola a sua capacidade real. E onde tem ocorrido manifestações das próprias populações pedindo maior controle. É inerente à responsabilidade dos poderes públicos, como também dos comerciantes, esclarecerem aos visitantes, bem como a população residente, de que trata-se de cidades tricentenárias, de ruas estreitas, casarios frágeis em vários aspectos, com pouca flexibilidade na mobilidade urbana, com notórias deficiências de disponibilidade de cargas de energia elétrica e de abastecimento de água, entre muitos outros riscos, inclusive de incêndios e outras ocorrências. E, no caso ouropretano, a BR-356 está com muitos pontos de retenção.
É claro que todos estes riscos podem ser minimizados por medidas preventivas. É preciso ter planejamento rigoroso, contar com policiamento eficaz e adequado, estar preparado para emergências de acidentes e de atendimento médico, entre muitas outras questões que podem surpreender. Mas o que pode ser muito importante é esclarecer a todos os visitantes, através de folhetos próprios, se possível na entrada da cidade, sobre a conduta no Carnaval, em sítio histórico, com traçado urbano especial, que abriga acervo artístico e histórico valioso e que, portanto, não é “terra de ninguém”, onde tudo é possível ou permitido, do som alto às atitudes inadequadas à folia.
Estas advertências são necessárias e podem ajudar a evitar situações indesejáveis. Não há como concordar, por outro lado, com as liberalidades das “repúblicas” que se tornam hotéis e recebem mais gente do que suportam, hoje as principais responsáveis pelos excessos, especialmente de público. Ou com as conclamações que chamam mais pessoas, além da suportabilidade da velha cidade, estimada em um máximo de oito mil pessoas. Como pode a Secretaria de Cultura e Turismo ter anunciado que Ouro Preto pode receber até 50 mil pessoas, número superior até à população da cidade? Enfim, que a festa seja muito boa, com muita alegria, com organização e sem acidentes que possam vitimar pessoas ou a própria cidade. Mas estas advertências são oportunas e devem ser levadas a sério.
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