Não nos falamos mais
Uma vez, com a intenção de ironizar-me, alguém (anônimo, naturalmente) por não concordar com um texto meu postado em um site, escreveu um monte de bobagens e entre elas disse que eu deveria “voltar para as minhas Amenidades e falar de ex-cantor”. Tadinho, equivocou-se duas vezes: a primeira é que eu nunca saí daqui e a segunda é que o meu ET Oswaldo Montenegro não tem nada de “ex”. Continua firme e forte, fazendo shows, encenando e produzindo peças de teatro, etc. E eu, é claro, coladinha. Ele só não tem vindo mais por esses lados porque não há interesse nem da região nem dos patrocinadores. Então, cada qual fica no seu quadrado e que sejam felizes.
Críticas são sempre bem vindas, mas não dá para responder a quem não existe. Anonimato e ninguém para mim é a mesma coisa. E como diz um amigo “até para ser irônico é preciso inteligência”. Daí, dei boas risadas e não pensei mais no caso.
Hoje voltei a me lembrar do meu ET, ma-ra-vi-lho-so como sempre. Um pensamento dele cabe perfeitamente no que estou vivendo. Quando o mundo virtual estava no início, com suas redes sociais e salas de bate papos, ele inventou a seguinte conjugação verbal:
“eu orkuto, tu msneias, ele twiteia. Nós não nos falamos mais.”
Adorei a metáfora, mas como sou suspeitíssima, nem comentei muito.
Eu não tenho facebook, não uso orkut, não tenho twiter, algumas redes sociais nem sei que existem. Acho legal para quem gosta, mas no meu caso específico, não tenho paciência. Uso somente e-mail e msn. Gosto do papo antigo, olho no olho, vendo a expressão do outro, rindo com ele ou encostando a cabeça no seu ombro quando preciso de aconchego.
Nada contra os meios mais modernos de comunicação, a garotada hoje já nasce em frente ao computador e isso faz parte da modernidade, tudo bem. Trata-se tão somente de uma questão de gosto, mesmo.
Esta semana, devido a alguns fatos acontecidos, resolvi fazer o tal do facebook. A coisa já começou engraçada. Foi a filha de uma amiga, de 10 anos de idade, quem me ensinou. Pode uma coisa dessas? Ela ia me falando pelo telefone e eu clicando onde ela mandava. No final veio uma mensagem: “sua conta está desativada”. Como assim? Eu nunca tive conta. Tentei de novo. Outra mensagem: “seu e-mail não é válido.” Como assim? Meu e-mail é público, comunico-me com Deus e o mundo através dele. E segui, clicando e clicando até que me enchi, peguei o velho e antiquado telefone (fixo, ainda por cima) e fui ligando a quem precisava falar.
Nada contra, muito pelo contrário, às comunicações virtuais. Mas haja paciência! Mais uma vez o meu ET acerta em cheio: nos comunicamos tanto, mas não nos falamos mais.
E como faz falta um bate-papo gostoso! Como é bom sentar na mesa de um bar, rodeada de amigos, ou mesmo só com um ou dois, e dar boas gargalhadas, um olhando para o outro, sem precisar de câmera! Como é gostoso, em um final de semana, receber amigos em casa para um encontro descontraído, “jogando conversa fora”... e que delícia é receber (e dar) aquele abraço apertado em quem se gosta.
Acabei ficando sem o facebook, mas tudo bem. Quem sabe um dia a paciência volte e eu aprenda. Até lá, vou ficando assim mesmo, que está ótimo.
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