Mundo desperta para para um novo tempo
Mauro Werkema
Desperta, em todo o mundo, uma nova consciência, ampliada pela informação, mas estimulada pela indignação para com a velha ordem política e econômica. É possível, para esperança dos que ainda acreditam em um mundo melhor, mais justo, mais ético, mais respeitoso para com a natureza e com as diferenças, que estejamos no limiar de uma nova era da Humanidade. E que nos permita ver o fim guerras, a eliminação da pobreza e da miséria extremas, a extinção das doenças endêmicas. Já não se trata de mero retorno à utopia da juventude, quando o ideal de uma sociedade mais igualitária dominava o pensamento. Concretamente, estamos no limiar de uma nova era, que permite positivamente antever um novo tempo, sem os imperialismos de qualquer natureza, sem a exploração do homem sobre o homem, sem corrida armamentista e com a ciência e a tecnologia atuando em efetivo favor da construção de uma nova sociedade.
A verdade é que ninguém hoje suporta mais o político corrupto, o partido sem ideologia, mero agrupamento de interesses pessoais, os governos sem governabilidade, vencidos pela burocracia e o desvio de recursos públicos, as ditaduras de qualquer espécie e origem, os banqueiros e outros capitalistas que se beneficiam dos jogos eletrônicos do capital financeiro globalizado, para se enriquecer ainda mais, os especuladores e atravessadores da economia popular. E muito mais: a falta de cidadania, a falta de republicanismo, a ausência de respeito ao meio ambiente, a inconsciência humana frente aos semelhantes, a alienação social e política que não permite ver que é possível mudar as sociedades, se há ética e boa vontade.
Mas, anima-nos o que ocorre no mundo: em Nova Iorque, na Madson Square, núcleo do capital especulativo, origem das duas crises que assolam o mundo, os americanos parecem ter acordado e protestam. Em Londres, em Paris, Roma e Madrid, igualmente os cidadãos saem às ruas. Na Grécia, a população não acredita que é pelo aperto fiscal que a crise se resolve e não quer pagar a conta da gestão ineficaz dos governos. A Primavera Árabe derruba suas incríveis e detestáveis ditaduras e os países parecem dar um salto milenar em direção ao mundo contemporâneo, sob a contemplação e aplausos de todos. Enfim, indignados, cidadãos movem o mundo.
Os EUA perdem poder e hegemonia. A velha ordem capitalista especulativa perde posição e confiabilidade. A China amplia presença e parece um gigante que se levanta. A velha Índia avança surpreendentemente. A Europa, envelhecida, mergulha na crise que enfraquecerá ainda mais sua economia. O Brasil, mais estável, ainda entorpecido com a recente ascensão ao mercado de consumo das classes mais pobres, já começa a protestar contra a classe política e a corrupção, duas pragas que assolam o País e impedem passos mais rápidos em direção ao futuro. Mas também se move, em extraordinária transformação, e reacende esperanças de que poderá avançar ainda muito mais, participando ativamente da construção de uma nova ordem, já em andamento no mundo.
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