É hora de duplicar a BR-356 e não somente recuperar
Mauro Werkema
A inadequação da BR-356 para o seu tráfego é clara e incontestável. Na quantidade e na tipicidade dos veículos, automóveis, ônibus, caminhões pesados, em crescente, assustador e perigoso volume nos últimos anos. Antiga no traçado, nas curvas e ângulos, sem acostamento, sem terceira pista nas subidas, sem rotatórias nas interseções, a BR-356 perpassa várias áreas de instabilidade geológica, com constantes escorregamento de encostas e depressões no seu leito. As últimas chuvas declararam sua grande instabilidade, com mais de 20 desabamentos, estreitamentos e outros tipos de estragos, no trecho do trevo com a BR-040 até Mariana. Por isto, não se justifica mais uma simples reparação ou recuperação, termo usado pelo ministro dos Transportes ao visitar, na última semana, Ouro Preto, após fazer viagem de inspeção à BR-356. Ao invés de mais uma recuperação cosmética, superficial e meramente paliativa, consertando aqui e acolá, é hora de uma duplicação, com modernização do seu traçado, remoção de áreas de risco, implantação de rotatórias.
A presidente Dilma declarou há alguns dias que o dinheiro público que o Governo Federal vai liberar deveria aplicar-se mais na prevenção do que na reparação. Esta tem que ser feita para restabelecer a operacionalidade das estradas, com reparo dos trechos danificados. Mas certamente não é solução duradoura, correta e necessária para a BR-356, conforme os diagnósticos e indicações da moderna engenharia, que avançou extraordinariamente nos últimos anos quanto à sua capacidade de remoção de terras e implantação de novos leitos rodoviários, com menor custo. Ou, então, continuaremos a assistir, a cada ano de chuvas mais intensas, as obras meramente emergenciais, com continuados gastos estritamente reparadores.
Os prefeitos de Itabirito, Ouro Preto e Mariana, se possível com apoio do governador do Estado, poderiam aproveitar o momento propício e pedir à presidente Dilma, que bem conhece a Rodovia dos Inconfidentes, a obra de duplicação. São apenas 70 km, em que a maior parte já é capaz de receber ampliação das pistas, com maiores dificuldades apenas na Serra do Itabirito. E a Vale, que tira imensa riqueza da região, também interessada nesta duplicação, poderia participar desta obra, compensando os recursos limitados dos royalties que deixa para estas cidades. É o que se espera há muito tempo.
Os argumentos em favor da duplicação são fortes. É a principal rodovia turística do Estado. Beneficia região em franco crescimento, onde convivem, não sem antagonismos, vários destinos turísticos e culturais e a mineração intensa, em plena expansão. O seu traçado está defasado em vários trechos. E o trânsito é imenso, inclusive de caminhões pesados, que se dirigem para o Espírito Santo e que evitam a BR-381. E, como já dito, é hora de eliminar definitivamente áreas de risco. São argumentos cabais e definitivos, que justificam a solicitação. No mais, é hora de as cidades da Rodovia dos Inconfidentes terem alguma ação comum, solidária, o que pode ser o embrião de outras iniciativas. E a mais importante, neste momento, é a duplicação da BR-356, que hoje é não só um transtorno para os viajantes como um vetor dificultador da expansão econômica da região.
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