A igreja de Nossa Senhora Auxiliadora de Miguel Burnier
Em princípios do século XX, sob auspícios da mulher do Sr. Wigg, Dona Alice, foi inaugurada a Igreja de Nossa Senhora Auxiliadora de Calastróis em Miguel Burnier. Com o crescimento acentuado da povoação e da indústria, a capela foi elevada à categoria de sede de paróquia, ereta em 16 de julho de 1918. A invocação - Nossa Senhora Auxiliadora - vinha, desde 1896, sendo propagada na região pelos padres salesianos de Cachoeira, cujo orago protetor é a Senhora Auxiliadora.
Ao que parece, a atual igreja foi construída sob o arcabouço de uma capela mais antiga, erguida na mesma colina. No frontispício podemos perceber quanto dessa velha ermida está preservada na atual: as janelas e a porta de verga arqueada, o óculo de caprichoso desenho barroco, o frontão triangular simples - tudo leva a crer tratar-se de capela colonial, do tipo que até hoje encontramos com certa abundância pelos campos de Minas. Excetuando-se a torre sineira - única e inserida à esquerda - a fachada lembra a vizinha Capela do Chiqueiro (que será analisada aqui futuramente). Internamente, possui delicado forro estucado e altares da época da criação da paróquia, com refinados detalhes em madeira e mármore. O altar-mor está abrigado em uma abside - inexistente nas criações barrocas, mas comuns ao estilo românico e gótico. O Altar do Santíssimo possui forte tendência neoclássica, com dois grandes nichos laterais, vazios como o trono. A sacristia guarda um interessante oratório pintado de branco.
Atrás do templo ergue-se a residência do vigário, chamada também de Casa do Padre Marcelino, tendo aí residido o célebre sacerdote italiano que substituiu Padre Afonso na cabeça da paróquia de Cachoeira, por ocasião de sua morte em 1911 (aliás, a Freguesia de Cachoeira sempre alternou a administração da região de São Julião com o Pilar de Ouro Preto e com a então recente Paróquia de Auxiliadora de Calastróis, criada sob intercessão de Alice Wigg).
Todo o conjunto, incluindo o pequeno adro e o diminuto coreto frontal, se acha atualmente em estado ruinoso e abandonado.
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